Inclusão escolar
Falar de inclusão escolar implica
falar de exclusão: exclusão de que? Vivemos
em uma sociedade aonde o diferente, o singular, a alteridade são banidos. Falar
de inclusão é falar das diferenças, do estranho: Interessa interrogar se a
“onda” da inclusão escolar aponta para o real da educação ou para a
idealização/recalque das diferenças no contexto social e educativo.
Sabemos que o processo de
aprendizagem é como uma impressão digital: cada um aprende de uma forma única e
singular. Sabemos também que as instituições de ensino, em sua grande maioria,
possuem uma característica de homogeneidade, ou seja, a subjetividade é posta
de lado nos processos educativos.
Nos dias atuais, portadores
de deficiência intelectual e outros distúrbios globais do desenvolvimento têm o
direito freqüentar instituições regulares de ensino, portanto a questão da
inclusão escolar entra em conflito com os modelos vigentes de normatização e
homogeneidade dos padrões de ensino (o aluno deve se adaptar ao modelo de
aprendizagem imposto pela instituição, banindo sua subjetividade).
Devemos lembrar também que
inclusão é diferente de ‘‘estar junto’’, (estamos junto de pessoas no metro, no
cinema, na rua) mais que isso, a questão da inclusão pressupõe a palavra chave interação.
Essa questão é essencial para que possa haver uma real inclusão, não apenas no âmbito
escolar, mas em todos os setores da sociedade, afinal, a verdadeira exclusão
dessas pessoas ocorre no campo do simbólico.
Nesta direção, podemos
pensar que a inclusão vai muito além da construção de rampas de acesso, mas sim
a compreensão de viver com as diferenças, isto é fundamental para a construção
de uma sociedade mais justa e com menos preconceitos, e tal compreensão começa
na escola.
De acordo com Maria Teresa Mantoan
- referência na área de inclusão escolar no Brasil - inclusão pode ser
entendida como:
‘‘É a nossa capacidade de entender e reconhecer
o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas
diferentes de nós. A educação inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção. É
para o estudante com deficiência física, para os que têm comprometimento
mental, para os superdotados, para todas as minorias e para a criança que é
discriminada por qualquer outro motivo’’.
Maria Teresa Mantoan
Crianças
com necessidades educacionais especiais (NEE) possuem uma dupla missão: lutar
contra suas próprias limitações e lutar para ser aceito pelos outros. Neste sentido,
uma compreensão do grupo sobre essas questões se torna fundamental no auxilio
do desenvolvimento dos portadores de NEE.
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