Aprofundamentos teóricos sobre a neurose obsessiva.
O presente trabalho tem por objetivo elucidar aspectos relacionados a neurose obsessiva, seus mecanismos, como se engendra, considerações sobre o superego e a agressividade, típica desta estrutura. As bases para a compreensão da neurose obsessiva se apoiam no terceiro modelo do Édipo – a castração.
Um traço inequívoco da neurose obsessiva é a dinâmica psíquica que se expressa através de uma ordem e uma contra ordem, a agressividade se encontra elevada a enésima potencia e o superego é implacável.
Não há elaboração, a associação é empobrecida devido aos mecanismos de racionalização e intelectualização, a transferência é negativa devido à agressividade. Nesse tipo de neurose o recalque atua sobre as representações, deixando afeto livre em busca de outras representações por meio do deslocamento.
Mas de onde vem essa hostilidade tão marcante e elevada nessa estrutura?
O neurótico obsessivo passou por todas as fases da evolução psicossexual, chegou a fase fálica, ou seja, se tornou neurótico. Porém, ao se deparar com a castração, a criança não sustentou, não deu conta dessa experiência em seu amplo sentido (não lidar com limites, diferenças). Essa não sustentação da castração produz uma regressão da libido para a fase anal sádica-expulsiva.
Toda a agressividade do neurótico obsessivo está intimamente relacionada com essa regressão libidinal, ancorando o sujeito no paradigma anal.
Outro aspecto relevante seria questionar a origem do superego elevado em tais sujeitos. Durante o processo de identificação secundária – introjeção do superego dos pais, o neurótico não assimilou essa instancia psíquica, mas introjetou de forma crua, levando o pai para dentro de si. Nesse sentido, o neurótico obsessivo possui um superego despersonalizado, não assimilado, mas brutalmente introjetado sem subjetivação.
Alguns mecanismos de defesa inconscientes devem ser reconhecidos como mais intensamente presente nesses indivíduos: Projeção, formações reativas, contra investimentos, deslocamento, isolamento (para evitar o sentir), racionalizações e sobretudoanulação (desfazer por meio de rituais o que se foi desejado, movimento de desfazer).
Os delírios de pensamento e as falsas conexões mentais são produtos do pensamento mágico, e possuem fundamental importância para o surgimento e a estruturação da neurose obsessiva.
Na clinica deve-se evitar a contratransferência, acolher a agressividade e apontar os deslocamentos e repetições produtos da repressão, levando ego onde havia id.
Comentários
Postar um comentário